Fazer ou não fazer cloak? O guia definitivo (ou quase).

By Fernando | Oct 30, 2008

To Cloak or not to Cloak? that is the question.

No nosso contexto a palavra em português para “cloak” será disfarce. Quando fazemos o cloaking dos links de afiliados que temos no nosso Blog, estamos a “disfarçar” o destino desses links, pelas mais diversas razões.

Honestamente esta é mais uma daquelas coisas que não fazia ideia do que era até iniciar este Blog. Já tinha ouvido falar mas não sabia exactamente o que era. Este artigo é o resultado da pesquisa que fiz sobre o assunto.

Encontrei vários artigos sobre cloaking, muitos deles contraditórios e com visões contrárias sobre a legitimidade do cloaking. É quase uma luta entre o bem e o mal, o Batman e o Joker, o Obama e o MacCain, o “White hat” e o “Black Hat” SEO.

Mas antes de mais considerações filosóficas:

O que é o cloaking?

Antes de tudo temos então que definir em concreto o que é o Cloaking:

Cloaking: é o acto de servir diferente código de HTML (páginas web), aos diversos visitantes de um site, baseado em determinados critérios pré definidos.

Antes de ler sobre o assunto estava convencido que o cloaking era apenas “disfarçar” os links de afiliados por uma notação mais simples e disfarçada.

Objectivos

O cloaking é usado com muitos propósitos, incluíndo (mas não limitado a):

  • SEO – search engine optimization
  • Selecção de áreas geográficas (Geotargeting)
  • Melhorar o acesso por parte dos robôs dos motores de busca
  • Optimização para os diversos browsers
  • Selecção da língua usada no site
  • Mascarar links de afiliados

O SEo aparece no topo da lista e é de facto um dos objectivos mais procurados por quem faz cloaking nos seus sites. Quando usado com esse objectivo há muitas pessoas que o consideram pouco ético e normalmente os motores de busca não acham grande piada à ideia. Vou já falar sobre isso, mas antes vamos analisar melhor algumas boas razões para fazer cloaking.

Geotargeting

O Geotargeting é usado quando se quer mostrar ao visitante a página referente ao seu País. Isto é feito através do IP do visitante, verificando de que país é originário. Existem bases de dados que conseguem indicar qual o País, região, a cidade e até a própria localidade (quem usa os programa de afiliados do Adult Friend Finder, conhece bem esta funcionalidade).

Uma aplicação comum para isto é por exemplo num site de e-comerce mudar a moeda em que os preços são mostrados dependendo do país de onde estão a aceder (acontece por exemplo no AllPosters, onde na Europa é mostrado o preço em Euros).

Selecção da Língua certa

Num efeito semelhante ao do geotargeting, o cloaking pode também ser usado para selecionar a língua certa. Para isso é detectada o língua definida no browser do visitante e a página é mostrada na língua apropriada.

Melhorar o acesso por parte dos robôs dos motores de busca

Este aspecto está directamente seleccionado com o SEO. Isto pode ser feito por exemplo para melhorar a indexação de websites construídos em flash, por impossibilidade de conseguir indexar o texto e links nele presentes.

Nesta situação, quem está a construir a página pode mostrar uma versão em texto/html do seu website para visitantes que não têm o flash instalado e aos robôs dos motores de pesquisa.

Optimização para os diversos browsers

Os browsers não são todos iguais e têm diferentes características e/ou capacidades. Usando um ficheiro .ini específico é possível detectar qual o browser que está a ser usado e mostrar a versão do website mais indicada para cada caso.

Gerir subscrições pagas

Outra aplicação para o Cloaking é para gerir sites de notícias onde para se aceder à totalidade da notícia tem que se pagar uma subscrição. O caso mais famoso é o New York Times, um dos jornais online mais lidos no Mundo inteiro.

O leitor humano do New York Times para poder ler toda a notícia, tem que pagar a mensalidade correspondente à subscrição. No entanto se o Googlebot visitar o artigo, tem acesso total, para que o New York Times retire daí todas as vantagens de colocação nas SERP’s (Search Engine Ranking Pages). Dessa forma o Google consegue indexar todo o conteúdo enquanto que o publico tem que pagar para conseguir ler a totalidade.

Disfarçar os links de afiliados

Outra das razões para fazer cloaking é para mascarar o endereço de destino de determinado link. Isto acontece muitas vezes em links de afiliados, onde é visíviel o código de afiliado de quem escreveu o link. Foi neste âmbito que ouvi falar pela primeira vez de cloaking.

A grande argumento para fazer o cloaking com este objectivo é que a conversão (pessoas que clicam de facto no link de texto que está cloaked), aumenta. Isto porque quem clica no link não perceb tão bem que é um link afiliado. E é aqui que entra a luta entre o Bem e o Mal, mas já la vamos…

Antes disso vamos ver como podemos fazer cloaking.

Como fazer cloaking

O cloaking acontece quando um programa é colocado no web server e consegue avaliar todos os critérios de avaliação necessários para servir ao visitante a página apropriada. Isto é feito sempre do lado do servidor e não do cliente (browser) porque caso contrário este teria que receber todas as versões da página, tornando o processo demasiado pesado.

São usadas várias linguagens de programação para o fazer mas as mais usadas são Perl e PHP (se ainda não souberem nada de PHP, aprendam! Podem dizer o que quiserem, mas ajuda muito!), porque são fáceis de usar e estão disponíveis em quase todos os servidores e acomodam CGI muito bem.

Os programas de cloaking procuram avaliar diversos critérios quando o utilizador faz o pedido da Web page. Alguns dos quais são:

  • o endereço IP
  • o user-agent
  • o header HTTP_REFERER
  • o header HTTP Accept-Language

Endereço IP

Quando o programa de cloaking usa o endereço IP do visitante como factor de decisão sobre qual a página a mostrar é conhecido como “IP Delivery” (desculpem não traduzir, mas não encontrei o termo usado em Português). É uma técnica comum para o o SEO cloaking e o geotargeting cloaking.

No caso do SEO cloaking, existe uma base de dados com os endereços de IP dos robôs dos motores de busca e o IP do visitante é comparado com os existentes na base de dados. Se não for encontrado correspondência, é servida a página para o visitante humano. Se houver correspondência, é mostrada a página optimizada para os motores de busca.

No caso do cloaking para fazer geotargeting, o endereço IP do visitante é comparado mais uma vez com uma base de dados onde estão guardadas as informações relativas à localização. Dessa forma a página mostrada ao visitante é a que mais se aproximar da sua localização.

Pegando no exemplo do New York Times, é este tipo de cloaking que é usado. Sempre que é detectado um IP de um motor de pesquisa, é servida a totalidade da página para este as poder indexar na totalidade. Muitas pessoas conseideram que isto é bastante hipócrita, uma vez que o Google permite que isto aconteça para este website importante (e possivelmente até encorajou), enquanto que condena e castiga ferozmente os restantes websites por fazerem este tipo de coisa.

Identificação do User-Agent

Muitos sistemas de cloaking usam o User-Agent HTTP header como critério de decisão. Isto é usado para diversas finalidades como SEO e optimização das capacidades do browser, etc. Quando usado em conjunto com o ficheiro browscap.ini (um ficheiro que lista as capcidades e características dos diversos browsers existentes), pode ser uma forma bastante eficiente para se explorar todas as capacidades dos browsers existentes.

Existe alguma controvérsia sobre qual o melhor método – “IP delivery” ou “User-Agent HTTP header” – para efectuar o cloaking com o objectivo de SEO. Na verdade depende muito das circunstâncias, mas provavelmente a “IP delivery” é a melhor opção.

Isto porque é muito difícil simular um endereço IP falso e por consequência é difícil enganar o programa de cloaking enquanto que simular um User-Agent é mais fácil, podendo por isso enganar o programa de cloaking (para por exemplo ter acesso ao conteúdo completo do New York Times, fazendo passar-se por um robô de um motor de busca). Por este motivo é que alguns programas de cloaking usam uma combinação entre os dois métodos.

Header do HTTP_REFERER

Isto ainda é usado por alguns programas de cloaking mais antigos. A ideia é que os robôs dos motores de busca raramente usam o header HTTP_REFERER, por isso pedidos que chegam sem este header podem ser considerados como vindos de um desses robôs. Este pressuposto ignora que trâfego vindo de “type-ins” (quando escrevemos o endereço directamente na barra de endereços) e vindo das barras de favoritos também chegam sem este header, assim como existem firewalls que também bloqueiam este header.

Outra utilização deste tipo de cloaking é criar páginas optimizadas para um visitante que veio duma página em particular. Por exemplo, se um visitante chega à nossa página vindo do Google, usando a informação que está no HTTP_REFERER seria possível construir uma página optimizada para as palavras que ele usou na sua busca original.

Existe inclusivamente pelo menos um Plugin para WordPress que faz uso desta funcionalidade que se chama “LandingSites”, que para todos os visitantes vindos dos motores de busca, para além do artigo que eles encontraram mostra também uma lista de artigos relevantes para a palavra chave usada.

HTTP Accept-Language

O programa de cloaking verifica o header do HTTP Accept-Language para verificar qual a linguagem definida no browser do visitante. Depois de verificada a linguagem é servida a página nessa língua, em vez de haver uma só página para todos os visitantes.

O cloaking mais simples: disfarçar links de afiliados

Umas das formas mais simples de cloaking é aquela que é referida muitas vezes em Blogs sobre ganhar dinheiro online. Como os links de afiliados costumam ter uma estrutura que revela o site de destino, juntamente com o código de afiliado, os autores dos blogs ocultam este link afiliado para que não seja possível saber qual o destino do mesmo, impedindo dessa forma que os visitantes cheguem ao destino sem clicar no link.

As 3 técnica mais usadas para fazer isto são:

  1. usar um ficheiro php para redireccionar para o link afiliado
  2. usar plugins que substituem o link afiliado por outro específico para palavras predefinidas, alterando o link de forma a esconder o destino. Um dos mais usados é o WP Affiliate Pro.
  3. Usar ferramentas de encurtamento de links, como o TinyUrl por exemplo.

A ética no cloaking: a luta entre o bem e o mal

A ética no cloaking é um tópico muito quente nos fóruns de webmasters. Por um lado temos os “white-hats” que dizem que temos a responsabilidade de dizer a verdade sobre os nossos sites aos motores de busca e aos nossos visitantes. Do outro lado temos os “Black-hats” que defendem que todas as armas são boas para se defenderem da competição.

Os motores de busca não ajudam nada no esclarecimento porque se por um lado condenam e castigam o cloaking, abrem excepções (o caso do New York times que já referi), que ninguém sabe se são mesmo excepções ou se são um exemplo entre muitos outros existentes.

As consequências do Cloaking

Se formos apanhados a fazer cloaking com fins específicos de SEO, é muito provável que o domínio onde estão as páginas dissimuladas seja banido do motor de busca por completo (removidos do Index de forma permanente). É por isso que normalmente o cloaking é usado em domínios pouco importantes, nenhum webmaster quer arriscar ver o seu site ou blog mais importante ser banido do Google por exemplo.

No entanto há casos de cloaking – o Geotargeting, por exemplo – que é aceite pelos motores de busca, desde que os robôs dos motores de busca leiam o mesmo conteúdo que um visitante lê se estiver naquela zona geográfica.

No que toca a repercussões para os outros tipos de cloaking há ideias muito vagas sobre quais as suas consequências. Desde que não se tente enganar os robôs, garantindo que os conteúdos mostrados a estes são muito similares ao que é mostrado aos visitantes humanos, estaremos garantidos. Mas como é que podemos saber se é possível fazer essa distinção algebricamente? Conseguirão eles distinguir um “bom” cloaking dum “mau” cloaking? Ninguém sabe. E as respostas dos responsáveis pelos algoritmos dos motores de busca também não são conclusivas.

Cloaking de links de afiliados

No caso do cloaking de links de afiliados, penso que a questão não se põe em relação a castigo dos motores de busca (pelo menos não encontrei nada que o indicasse), mas põe-se antes na transparência para com os visitantes do nosso Blog.

Enquanto visitante de um site ou blog, agrada-me não saber em que página vou parar se clicar num determinado link? A mim não me agrada nada.

Percebo que a taxa de conversão dos links se estiverem com cloaking feito é muito superior, mas na minha opinião é uma questão de transparência para com os visitantes e principalmente para com os leitores habituais.

Qualquer pessoa que visite este Blog com alguma frequência sabe que é sobre como ganhar dinheiro online e por isso sabe muito bem que ao clicar em quase qualquer um dos links que vou colocando nos textos, irá estar a ser referido por mim num programa de afiliados. Ao não fazer o cloaking dos links estou a dar a oportunidade de decidirem se querem que isso aconteça ou se querem ir para o site de que estou a falar sem se tornarem meus referidos. Estarei a perder dinheiro, mas acho que me dá credibilidade para os conselhos ou opiniões que possa vir a dar no futuro.

Vou fazer cloaking aos meus links de afiliados?

Pelo que expliquei anteriormente, não irei fazer cloaking aos links para os diversos programas de afiliados de que for falando. Percebo as vantagens, mas como eu não gosto que mo façam a mim (não gosto de clicar em links que não conheço o destino), não o farei aos meus visitantes e leitores.

Outros posts de interesse:

5 Comments so far
  1. Rick171br (1 comments.) October 30, 2008 10:10 am

    Parabéns pelo texto… Muito esclarecedor.

  2. Nuno (17 comments.) October 30, 2008 4:23 pm

    É complicado gerir tudo o que podemos fazer! Apesar de útil não vou utilizar cloaking nos meus blogs.

    Eu também tomei a decisão de não esconder os links, quem não quiser carregar, não carrega.

  3. Fernando October 31, 2008 11:05 am

    Olá a todos,
    não é um assunto muito pacífico, mas acho que é de facto mais transparente. Mas não censuro ninguém que o faça…

  4. O.W. (4 comments.) November 1, 2008 12:46 am

    Eu também não sou a favor do cloaking. Desconhecia o termo apropriado, mas sempre fui desconfiado quanto a esta prática, e acredito que se eu praticasse isso ia trazer a mesma desconfiança para a minha pessoa. Inclusive sempre procuro escrever em meus posts que os clicks (ou outras tarefas) em meu site me trazem benefícios. Acho que a honestidade é o melhor modo.

    O.W. – Vem ler o meu último post: A Lei da Oferta e da Procura

  5. [...] Aproveitando a opção de cloaking que vem de origem com o script das lojas BANS, fazer cloak de todos os links da loja. É sabido que o Google não gosta nada que se faça cloaking por isso ao fazê-lo para todos os links, é mais um prego no caixão que vai enterrar a nossa loja BANS. Podem ler mais sobre cloaking aqui neste artigo “Fazer ou não fazer cloak: o guia definitivo“. [...]

Leave a Comment

If you would like to make a comment, please fill out the form below.

Name (required)

Email (required)

Website

Comments

CommentLuv Enabled
© 2007 Dinheiro – Como ganhar dinheiro online, - WordPress Themes by DBT